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reuniram-se.
temos um assunto urgente a tratar.
mas onde está o cronópio?
que cronópio?
cronópio. kafka. (sic)
é justamente sobre isso que precisamos tratar, senhores: o desaparecimento dos cronópios.
mas sem o cronópio não podemos deliberar.
não podemos.
não podemos.
mas, senhores, se
não podemos
não podemos!
# diálogo de mim comigo
— por que você não escreve mais?
— porque dói.
— e por que não ama mais?
— porque dói.
…
— continua tentando mudar o mundo?
— pouco. dói muito.
— o que você tem feito então?
— me anestesiado.
(— e tem funcionado?
— não. dói também.)
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a vó me ligou. havia uma razão prática, mas antes ela abriu a caixa de lembranças. contou-me até do nascimento da mãe, em pleno carnaval.
fez piadas. falou de antigas inseguranças, das zoeiras do (meu) vô. do pai (dela). gargalhamos.
— tem uma coisa, eles gostam de mim.
— e quem não gosta?
— pois não sei porquê!
— porque você é maravilhosa!
— eu não valho nada!
— e mesmo assim é maravilhosa! pra você VER O NÍVEL GERAL!
— vocês tão fodidos comigo! sifu!
gargalhamos de novo.
ao nos despedirmos, dissemos eu te amo ao mesmo (espontâneo) tempo.
foi um bom dia.


