diálogos

(in)certo absurdo, alguma angústia e um amor imenso
balões de diálogos em vermelho e verde

#

reuniram-se.

temos um assunto urgente a tratar.
mas onde está o cronópio?
que cronópio?
cronópio. kafka. (sic)
é justamente sobre isso que precisamos tratar, senhores: o desaparecimento dos cronópios.
mas sem o cronópio não podemos deliberar.
não podemos.
não podemos.
mas, senhores, se
não podemos
não podemos!

 

diálogo de mim comigo

— por que você não escreve mais?
— porque dói.
— e por que não ama mais?
— porque dói.

— continua tentando mudar o mundo?
— pouco. dói muito.
— o que você tem feito então?
— me anestesiado.
(— e tem funcionado?
— não. dói também.)

 

#

a vó me ligou. havia uma razão prática, mas antes ela abriu a caixa de lembranças. contou-me até do nascimento da mãe, em pleno carnaval.
fez piadas. falou de antigas inseguranças, das zoeiras do (meu) vô. do pai (dela). gargalhamos.
— tem uma coisa, eles gostam de mim.
— e quem não gosta?
— pois não sei porquê!
— porque você é maravilhosa!
— eu não valho nada!
— e mesmo assim é maravilhosa! pra você VER O NÍVEL GERAL!
— vocês tão fodidos comigo! sifu!
gargalhamos de novo.
ao nos despedirmos, dissemos eu te amo ao mesmo (espontâneo) tempo.

foi um bom dia.

Livros

lagarta chã

Daí a brisa forte e sadia que vem deste novo livro de Thássio Ferreira, muito felizmente chamado lagarta chã. Algo que responde ao mundo, mas anseia o que não se contenta na resposta – antes convoca, aponta, desdobra.

O que temos aqui é, como nunca deixará de ser necessário, um encantamento múltiplo com o ponto mais chão, a coisa mais chã: das turbinas às lagartas, dos mucos às galáxias, passando pelas casas, as plantas, os poetas, os corpos, as parafernálias que fazem uma vida, muitas vidas.

(Guilherme Gontijo Flores)

Leia mais.

Nunca estivemos no Kansas

Vinte e dois contos que transitam por diversos cenários, relações humanas e estruturas narrativas, construindo uma cartografia de arestas e descaminhos, desde um idílio qualquer onde nunca estivemos — individual e coletivamente — até o presente e além.

Parte dos contos reunidos angariou prêmios como Off-Flip (2019) e Prêmio Cidade de Manaus (2020), foi finalista do Prêmio Sesc (2017) e publicada em veículos como Jornal Rascunho, Revista Garupa e Vício Velho.

Leia mais.

agora (depois)

Em seu terceiro livro, Thássio Ferreira desnovela a linha do tempo de uma história de amor, de trás para frente, em 52 poemas organizados em duas partes: um “agora (depois)” instalado com a separação; e o “agora” anterior, do início do relacionamento até sua crise. Dividindo esses dois tempos, um retrato em prosa do momento fatal em que o barco se desamarra do cais.

Leia mais.

Itinerários

Itinerários, de Thássio Ferreira, vencedor do I Concurso Literário Editora UFPR, em sua linguagem agradável, técnica refinada no uso de rimas internas e externas, ritmos cadenciados, ecos verbais e temáticos, bem como suas aliterações e assonâncias sutis, promovem uma poesia impactante que envolve e encanta.

Leia mais.