
Coluna mensal




#
Num dia verde, porque verde é a cor da cura, acordou e voltou a ter vontade de viver. Foi feliz, por um tempo. Movia-se, como um gato. Depois entristeceu de novo.
…

desdobrando pensamentos a partir de Stella do Patrocínio e Carolina Maria de Jesus

pequena meditação, um tanto delirante, sobre os livros “A forma fugaz das mãos” (Fábio Pessanha) e “Todos os nomes que talvez tivéssemos” (Guilherme Gontijo Flores)





um ensaio crítico-viajandão sobre o romance de Itamar Vieira Jr. e suas possibilidades

poemas de tempos, a(o) tempo, sob(re) temporais e tanto mais, pois é sempre tempo



uma leitura de Íntimo Desabrigo, livro de poemas de Tarso de Melo


poemas-exercício tecidos com carinho e entusiasmo nas oficinas do Rafael Zacca e do Fábio Pessanha

(A criação não é uma compreensão, é um novo mistério — Clarice, a bruxa)

Caminhávamos.
(Uma semana antes, no dia dos pais, enterráramos a companheira dele. Infarto fulminante, não sofreu. Sofríamos nós. Menos mal: os vivos sofrem sempre; ao menos os que morrem, então, não sejam obrigados a mais que esse extremo: cessar. E nós?)
E nós?:
Caminhávamos.

Sempre tive um forte apego por compreender. O que em literatura, e talvez especialmente em poesia, é um obstáculo a ser vencido.

Publicado em 08/2020 – (créditos da imagem: Cena de Bar, 1938 — Milton Dacosta)

Depois de algumas prosas pandêmicas e pequenas pulsações poéticas, quero erguer pontes, precariamente e a medo, entre esta alguma coisa em mim que não entendo — ainda mais aqui dentro, em tantos sentidos, durante este isolamento — e (vocês) lá fora:

(para Rodrigo Oliveira, a respeito de Carcaça, de Josoaldo Lima Rego):
Oi, irmãozinho.
Como tá-tu?

o poema (ainda) pulsa. por baixo, por dentro, por trás, por sobre, por nós, por vós, por elas, por tudo. e é preciso que pulse, e que possamos pulsá-lo(s) na plenitude de suas potências.

Baratas (ou Prenúncios da Peste): No duodécimo dia, vieram as baratas.

eu não sei como começar. nem como seguir.
mas sigo.
(e você, como faz?)

Daí a brisa forte e sadia que vem deste novo livro de Thássio Ferreira, muito felizmente chamado lagarta chã. Algo que responde ao mundo, mas anseia o que não se contenta na resposta – antes convoca, aponta, desdobra.
O que temos aqui é, como nunca deixará de ser necessário, um encantamento múltiplo com o ponto mais chão, a coisa mais chã: das turbinas às lagartas, dos mucos às galáxias, passando pelas casas, as plantas, os poetas, os corpos, as parafernálias que fazem uma vida, muitas vidas.
(Guilherme Gontijo Flores)

Vinte e dois contos que transitam por diversos cenários, relações humanas e estruturas narrativas, construindo uma cartografia de arestas e descaminhos, desde um idílio qualquer onde nunca estivemos — individual e coletivamente — até o presente e além.
Parte dos contos reunidos angariou prêmios como Off-Flip (2019) e Prêmio Cidade de Manaus (2020), foi finalista do Prêmio Sesc (2017) e publicada em veículos como Jornal Rascunho, Revista Garupa e Vício Velho.

Em seu terceiro livro, Thássio Ferreira desnovela a linha do tempo de uma história de amor, de trás para frente, em 52 poemas organizados em duas partes: um “agora (depois)” instalado com a separação; e o “agora” anterior, do início do relacionamento até sua crise. Dividindo esses dois tempos, um retrato em prosa do momento fatal em que o barco se desamarra do cais.

Itinerários, de Thássio Ferreira, vencedor do I Concurso Literário Editora UFPR, em sua linguagem agradável, técnica refinada no uso de rimas internas e externas, ritmos cadenciados, ecos verbais e temáticos, bem como suas aliterações e assonâncias sutis, promovem uma poesia impactante que envolve e encanta.

Doir poemas inéditos e dois retirados dos livros “agora (depois)” e “Itinerários”, publicados na Revista Aboio com editoria de Leopoldo Cavalcante.

Celebrar a poesia, porque sim. Apesar de tanto.
Vinte e cinco anos não é toda sexta. mas nesta, logo ali, dia 28/06, às 18h, na Blooks Livraria do Rio de Janeiro, seremos. Ponteados.

poemas do livro (DES)NU(DO), publicados com editoria de Rodrigo Novaes de Almeida na Revista Gueto