
Poema “imenseiro”, do livro (DES)NU(DO), no projeto Toda Poesia
Entrevista concedida ao canal AC Literatura
poema “línguas”, do livro Itinerários, para o projeto Sarauzinho, do canal Toma Aí Um Poema

Mundinho enamorou-se da selva. Apesar dos avisos, dos interditos, das tentativas do Zé Caboclo. Zé, pescador cheio de brios, não queria o filho no rio, nem nos lagos, nas beias, nem dentro da mata. Mundinho era pra contrariar o apelido: ganhar o mundão. Apanhava de cipó pra ir à escola, não era pra ficar de pavulagem com os moleques, pelas ruas de tijolos, nos barrancos do Envira. A mãe obedecia ao marido, ralhando pra ele tomar jeito, estudar, estudar, não fosse virar homem sem ler nem escrever feito ela e o Zé.

Escrevo, escavo, invento. A palavra: áspero diamante. Quem há de adestrar suas lâminas?

Sempre tive um forte apego por compreender. O que em literatura, e talvez especialmente em poesia, é um obstáculo a ser vencido.