poemas para printar

poucos versos poucas estrofes tamanho esperto praquele print e o compartilhamento

#
relendo um caderno antigo
reencontro em letra minha:
a felicidade também
é uma disciplina

onde antes era sábio
e nem sabia
hoje tudo que enxergo
é poesia

 

#
a árvore, em toda sua tortuosidade
contra o claro dos altos, por quê?

galo depenado em vegetal esqueleto
esvaziado de cor, só bruteza do tronco

a beleza é um dom
a dos vazios, difícil

 

#
doer é
(por vezes)
meio quase
de gozar

às vezes
nem

 

#
antecipar a fome
para fugir à febre

justapor sabendo
a impossibilidade
da justeza

gastos calóricos &
descargas dopaminérgicas

entre o agora
& o depois

 

# o sítio ensina

nas frestas de silvos
e cantos de pássaros
(silêncio é falácia)

lanceando o sol
e suas sombras
(todas verdes)
por entreângulos

em sua matéria
de terra e neblina
(água fresca é mato)

o sítio salva

 

— poemas originalmente publicados em duas edições da coluna “Alguma Coisa Em Mim Que Não Entendo”, na Revista Vício Velho: poemas instagramáveis e poemas de inverno

 

 

Livros

lagarta chã

Daí a brisa forte e sadia que vem deste novo livro de Thássio Ferreira, muito felizmente chamado lagarta chã. Algo que responde ao mundo, mas anseia o que não se contenta na resposta – antes convoca, aponta, desdobra.

O que temos aqui é, como nunca deixará de ser necessário, um encantamento múltiplo com o ponto mais chão, a coisa mais chã: das turbinas às lagartas, dos mucos às galáxias, passando pelas casas, as plantas, os poetas, os corpos, as parafernálias que fazem uma vida, muitas vidas.

(Guilherme Gontijo Flores)

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Nunca estivemos no Kansas

Vinte e dois contos que transitam por diversos cenários, relações humanas e estruturas narrativas, construindo uma cartografia de arestas e descaminhos, desde um idílio qualquer onde nunca estivemos — individual e coletivamente — até o presente e além.

Parte dos contos reunidos angariou prêmios como Off-Flip (2019) e Prêmio Cidade de Manaus (2020), foi finalista do Prêmio Sesc (2017) e publicada em veículos como Jornal Rascunho, Revista Garupa e Vício Velho.

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agora (depois)

Em seu terceiro livro, Thássio Ferreira desnovela a linha do tempo de uma história de amor, de trás para frente, em 52 poemas organizados em duas partes: um “agora (depois)” instalado com a separação; e o “agora” anterior, do início do relacionamento até sua crise. Dividindo esses dois tempos, um retrato em prosa do momento fatal em que o barco se desamarra do cais.

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Itinerários

Itinerários, de Thássio Ferreira, vencedor do I Concurso Literário Editora UFPR, em sua linguagem agradável, técnica refinada no uso de rimas internas e externas, ritmos cadenciados, ecos verbais e temáticos, bem como suas aliterações e assonâncias sutis, promovem uma poesia impactante que envolve e encanta.

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