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mora agora
no azul das horas
contravim carpete
de nevoeiro
em meu banheiro
uma lagartixa
bebê
apelidei-a
tempo
# gerações
sereno, o pai me olha
(sorrindo) colher acerolas
do pé que plantou há
vinte anos e me obrigava
regar a contragosto
(pelos avessos também)
não tenho essa vaidade:
plantar e ver crescer
meu próprio pó
(já não) me basta
#
vê-se a mãe
em seu ofício novo
de fazer-se avó
dizer aos olhos
chorosos sobre si:
tudo a seu tempo
da própria
palavra
(pairando no ar
abrindo-se em
alçapões)surge um coringa
a borrar a tinta
e sussurrar
a(o) tempo: tudo (é) seu
# carma
nalguma vida
que se avizinhe
(se as houver)
voltar vaga
lume
no jardim da casa
onde a vó dançava
# febre baixa
do sonho
sobra só
a espinha
com suas
verdades escritas
a carbono catorze
(pobre humanista)
não sei
quais são
envelheço — enquanto tento
não envilecer — não tanto
não tenho o viço
de outra vida — seiva
fluindo — fortalecendo
folhas novas, minhas e
de si próprias — filhos?
dentre muitos vícios
deste me abstive
#
viver é um gerúndio
até o infinitivo