Outros poemas em mim que não entendo

(A criação não é uma compreensão, é um novo mistério — Clarice, a bruxa)

Outros poemas em mim que não entendo

 

# pequena ode a um novo amor (ou: salve geral)

 

venta sobre o azul

dentro                  e        fora

⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀     do apartamento

 

soundtrack: summertime

i’ve spread my wings and

⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀       took to the sky

things can harm me now

 

que melhor lugar pr’arremeter

que neste berçário de aviões?

salvem os santos

do rio de janeiro

 

são sebastião

são jorge (ben)

da capadócia

santos dumont

 

salve são manuel bandeira

salve o beco salve a glória

 

#

vocês: poetas
ele, no chuveiro
drama:
então, eu não
te balanço?
você teve
sua chance
moço. vou
fazer um poema
sobre o quanto
corri atrás de você

correu pouco!
será (então)
um poema
curto
(fim (?))

 

 

# fofoca

 

jurema disse

que mané contou

que zeca viu

o nascer do sol

na beira do mar

 

no dia seguinte

não se falava

noutra coisa

 

 

— Para ler todos os poemas desta série, acesse minha coluna na Revista Vício Velho.

Livros

lagarta chã

Daí a brisa forte e sadia que vem deste novo livro de Thássio Ferreira, muito felizmente chamado lagarta chã. Algo que responde ao mundo, mas anseia o que não se contenta na resposta – antes convoca, aponta, desdobra.

O que temos aqui é, como nunca deixará de ser necessário, um encantamento múltiplo com o ponto mais chão, a coisa mais chã: das turbinas às lagartas, dos mucos às galáxias, passando pelas casas, as plantas, os poetas, os corpos, as parafernálias que fazem uma vida, muitas vidas.

(Guilherme Gontijo Flores)

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Nunca estivemos no Kansas

Vinte e dois contos que transitam por diversos cenários, relações humanas e estruturas narrativas, construindo uma cartografia de arestas e descaminhos, desde um idílio qualquer onde nunca estivemos — individual e coletivamente — até o presente e além.

Parte dos contos reunidos angariou prêmios como Off-Flip (2019) e Prêmio Cidade de Manaus (2020), foi finalista do Prêmio Sesc (2017) e publicada em veículos como Jornal Rascunho, Revista Garupa e Vício Velho.

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agora (depois)

Em seu terceiro livro, Thássio Ferreira desnovela a linha do tempo de uma história de amor, de trás para frente, em 52 poemas organizados em duas partes: um “agora (depois)” instalado com a separação; e o “agora” anterior, do início do relacionamento até sua crise. Dividindo esses dois tempos, um retrato em prosa do momento fatal em que o barco se desamarra do cais.

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Itinerários

Itinerários, de Thássio Ferreira, vencedor do I Concurso Literário Editora UFPR, em sua linguagem agradável, técnica refinada no uso de rimas internas e externas, ritmos cadenciados, ecos verbais e temáticos, bem como suas aliterações e assonâncias sutis, promovem uma poesia impactante que envolve e encanta.

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