poemas para vozes que (não) cantam (mais)

pequenas homenagens a grandes gargantas

# cássia elis

então é isto

que você tem

a dizer no dia

da morte dela

 

ainda que tenha

sido isto

 

(enquanto a outra

ela diz: era melhor

que todos nós)

 

vocês também veem

as parecências?

 

(cocaína, vociferam

revistas — hienas!

mas nos interessam

a voz

e os dentes)

 

 

# amy

a cantora no palco

a postos (em punho)

a banda

o público

o tempo

e dionísio

aguardam em vão

 

a cantora

­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­  louca

gira

­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­  louca

sem

­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­  lógica

nenhuma

­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­  feito não-bailarina

e não

­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­­ ­canta

 

 

# estrofe a cazuza

ah, pai cazuza!

todos os meus prazeres

são risco de vida

não é toda vida sempre

um risco a si mesma?

 

 

# i wish

doctress nina simone

cantando dindi like a river

that can(’t) find the sea

Livros

lagarta chã

Daí a brisa forte e sadia que vem deste novo livro de Thássio Ferreira, muito felizmente chamado lagarta chã. Algo que responde ao mundo, mas anseia o que não se contenta na resposta – antes convoca, aponta, desdobra.

O que temos aqui é, como nunca deixará de ser necessário, um encantamento múltiplo com o ponto mais chão, a coisa mais chã: das turbinas às lagartas, dos mucos às galáxias, passando pelas casas, as plantas, os poetas, os corpos, as parafernálias que fazem uma vida, muitas vidas.

(Guilherme Gontijo Flores)

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Nunca estivemos no Kansas

Vinte e dois contos que transitam por diversos cenários, relações humanas e estruturas narrativas, construindo uma cartografia de arestas e descaminhos, desde um idílio qualquer onde nunca estivemos — individual e coletivamente — até o presente e além.

Parte dos contos reunidos angariou prêmios como Off-Flip (2019) e Prêmio Cidade de Manaus (2020), foi finalista do Prêmio Sesc (2017) e publicada em veículos como Jornal Rascunho, Revista Garupa e Vício Velho.

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agora (depois)

Em seu terceiro livro, Thássio Ferreira desnovela a linha do tempo de uma história de amor, de trás para frente, em 52 poemas organizados em duas partes: um “agora (depois)” instalado com a separação; e o “agora” anterior, do início do relacionamento até sua crise. Dividindo esses dois tempos, um retrato em prosa do momento fatal em que o barco se desamarra do cais.

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Itinerários

Itinerários, de Thássio Ferreira, vencedor do I Concurso Literário Editora UFPR, em sua linguagem agradável, técnica refinada no uso de rimas internas e externas, ritmos cadenciados, ecos verbais e temáticos, bem como suas aliterações e assonâncias sutis, promovem uma poesia impactante que envolve e encanta.

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