poemas de carnaval:
# pirata e bailarina
um pirata fala à bailarina
tão delicada tão feminina
emoldurada ao sol pulsante
(neste exato instante
quando olho a ambos)
que parece querer por fogo
neste paredão caloso
de pedras e mata
tão feminina tão delicada
a cidade em festa!
a bailarina sorri
e graças à empatia
que sinto por sua alegria
sou também o pirata ali!
(e também pulso como o sol
em pleno carnaval)
#
num quarto
de hotel (menos que) barato
um quadro
da praça
Dvortsovaya
que fotografo
é! pérola
de surrealismo
pendurada
na parede
do Carnaval
#
dai-me, deus do céu
um corpo que dança
como um xequerê e
prometo ser fiel
#
carnaval. onde?
no Recife
onde mais?
quanto mais
forte a chuva
bate (e bate)
alto mais
muito mais!
o maracatu responde!
#
carnaval
é se interessar
(e ver passar…)
pelo amigo do amigo
da juanita
— história real
poemas instagramáveis (no tamanho esperto pra caber em um print):
#
relendo um caderno antigo
reencontro em letra minha:
a felicidade também
é uma disciplina
onde antes era sábio
e nem sabia
hoje tudo que enxergo
é poesia
#
descobri — ou inventei
dá no mesmo
(ao menos ao poema)
— que meu desejo
ocultortoestropiado
é sentir no tempo
(por fora e por dentro)
o gosto
de valer a pena
#
a árvore, em toda sua tortuosidade
contra o claro dos altos, por quê?
galo depenado em vegetal esqueleto
esvaziado de cor, só bruteza do tronco
a beleza é um dom
a dos vazios, difícil
#
doer é
(por vezes)
meio quase
de gozar
às vezes
nem
& outros:
#
no palco onde
subi a primeira vez
— nem lembro bem
sentindo o quê
talvez a boca
mordente do medo
e a voz rouca
dormente em desejo —
para dizer
poemas
um estranho irmão —
inconfortável, forçando
meu arredio — afirma:
a poesia é a coisa
mais importante
que conheci
tolo
(mas nunca esqueci
a pulsão no cu)
# .doc
documentário
sob chuva
no título duas palavras
talvez indissociáveis:
risco & utopia
imagens de arquivo
: filme 8 milímetros
descubro
meio sem entender:
com tal película
por erro
de manuseio
acontece muito:
por cima de algo
gravar-se outro isto
: onírico
#
fugir tanto da morte
ao ponto do não
nomeá-la
e no entanto
amar-lhe o santo
descanso do sono
#
antecipar a fome
para fugir à febre
justapor sabendo
a impossibilidade
da justeza
gastos calóricos &
descargas dopaminérgicas
entre o agora
& o depois